O
Prazer talvez seja um dos valores mais cobiçados desde que a humanidade passou
a existir. Você já sentiu um profundo Prazer, um arrebatador Êxtase em
determinado momento da sua vida? Então, você sabe do que estou falando. Nunca
sentiu? Bem, é melhor começar a se preocupar, porque a vida passou, e você
ainda não a viveu.
Mas,
antes, vamos esclarecer qual a dimensão da palavra Prazer.
O nível
de prazer mais popular, que dura os seus minutos, horas ou até algus dias, mais
conhecido e experimentado, é fácil, barato, disponível, o dinheiro paga, enfim,
é comercializável. É um prazer que, como um vício, se não for controlado,
escraviza, causa dependência, corrói a autoestima e o poder pessoal. Esse
prazer se torna nosso maior algoz, desvaloriza nosso presente pelo simples fato
desses poucos minutos ou dias terem se apagado.
Já o
Prazer ao qual me refiro hoje não é perecível, permanece eterno em nosso
íntimo. Não se compra, se conquista. Também é totalmente disponível, mas são
poucas pessoas que se permitem perceber que ele está lá, esperando pelo seu
encontro.
Você
já teve a experiência em realizar algo que nunca, ninguém jamais acreditou que você
pudesse ser capaz? Intelectualmente, alguma missão quase impossível foi superada
graças ao seu total empenho, profissionalismo, coragem e ousadia?
Emocionalmente, uma experiência única de total desprendimento, amor e conexão?
E fisicamente? Uma maratona de superação de seus próprios limites?
Em
todas as situações, o mais importante com certeza não foi o reconhecimento de
outras pessoas, mas principalmente uma imensa autoconfiança, o resgate da voz que
vem do fundo de nosso íntimo que ecoa: “Parabéns, tenho muito orgulho de você.”
Essa
voz tem intimidade com a gente, e cada vez que ela vibra, mais vontade temos de
repetir aquela experiência de superação, valorização, competência e
pertencimento. É um Prazer que preenche, não tira; que nos liberta, não
escraviza.
É um
Prazer que também pode viciar, transformando você cada vez mais: curioso,
exigente, responsável, sábio, flexível, enfim, uma liberdade de ser você mesmo em
qualquer espaço da sua vida.
Mas
é claro que esse Prazer tem seu preço, é incomparavelmente mais caro. Nasce
primeiro de um certo incômodo, até uma dor. Dependendo da pessoa, torna-se um
sofrimento. Por ironia da vida, passamos primeiro pela experiência de seu
oposto.
Se o
Prazer vem como recompensa de uma superação, é porque algo estava para ser
superado. Houve, então, um processo de Aprendizado.
Estudos
da neurociência comprovam que o processo de Aprendizado num adulto gera um
incômodo realmente físico. Isso porque a cada nova situação a ser assimilada,
novas redes de conexões neuronais são formadas, sendo fisicamente alterado e
expandido. Isso quer dizer que: aprender
dói mesmo. Aprender nos incomoda fisicamente, psicologicamente, e
emocionalmente.
Quem
nunca sentiu a dor de perceber que é incompetente? Em lidar com a carreira, as
pessoas, os sentimentos, com tantas facetas da vida?
A
dor, o incômodo são inevitáveis. Porém, pessoas que buscam o Prazer, o Êxtase,
a vontade que nos faz querer participar da vida cada vez mais, sabem que a dor
é passageira. Que aprender faz parte da vida, e cada novo aprendizado sempre
vêm o presente do Prazer como recompensa. Não pode ser comprado, só pode ser
conquistado.
Às
vezes a dor parece ser insuportável. Essa medida pode estar relacionada ao
quanto precisa ser aprendido. Quanto maior a falta de intimidade e experiência,
provavelmente maior será a necessidade do aprendizado. Mas, nessa linha de
raciocínio, quanto maior a expectativa de incapacidade de se aprender, quando
superado, multiplicado será o Prazer, com uma merecida companhia do Êxtase.
Minha
colocação não é de exaltação da dor. Porque a dor pode ser inevitável quando o
aprendizado não for por escolha, mas por exigência de nossa caminhada. Às vezes
não pedimos, ela vem. Porém, somos nós quem decidimos em: sofrer, sentindo a
dor e lamentar o porquê da existência dela; ou me concentrar na superação
dela, abrindo portas para muitas outras possibilidades, e que principalmente, me
reconecto àquela voz que intimamente diz: “Parabéns, você conseguiu! Sempre
confiei em você!”
Caro
leitor, vamos nos embebedar do néctar do Prazer e Êxtase dos deuses, o segredo
da juventude imortal, abrindo sempre novos horizontes e possibilidades, e fazer
com que essa única vida que temos, tenha o valor de toda uma eternidade!
E
então, vamos Aprender?
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